Hoje é dia de São Valentim. E quem ama também odeia.
Uma boa história de amor tem sempre, admitamos, uma boa briga pelo meio.
Briga-se sabendo que se ama.
A China condenou o mais recente teste nuclear norte-coreano, mas nunca o volume de negócios entre estes dois países vizinhos foi tão intenso. A China dá o combustível ao país que incendeia o mundo com as suas acções; e a Coreia do Norte presenteia a China com os seus preciosos minerais.
Isto é ou não, afinal, aquilo a que muitos chamam de amor?
Depois do polémico post sobre o soldado Young Jin Han, cumpre-me partilhar convosco este artigo muito interessante da revista The Economist sobre uma sociedade fechada onde estão a acontecer paulatinas mudanças. Onde o capitalismo começa a espreitar por detrás da cortina. Onde o dinheiro serve de suborno a quem não quer ter problemas. Onde os habitantes conseguem ter, cada vez mais, acesso às noticias do exterior e estão a perder o medo de partilhar informação.
De acordo com o mesmo artigo, esta última mudança tem dois efeitos. Por um lado, quem acede a essa informação consegue, naturalmente, perceber as discrepâncias no que se refere ao nível de vida e, portanto, começa a não ter problemas de consciência em secundarizar o “amor” ao regime, para dar prioridade ao dinheiro e ao contrabando de produtos vindos da China. Por outro lado, a nova torrente informativa dá uma nova perspectiva da Coreia do Norte aos chamados “outsiders”. Ou seja, quase todos nós.
E no meio de tantas novas perspectivas, destaco a da jovem norte-coreana Jeon Geum que fugiu do seu país em 2011. Fugiu, não porque passava fome, mas porque – graças à informação que ia obtendo ilegalmente (através de filmes sul-coreanos e americanos) – sonhava poder usar jeans, jóias e conduzir um carro desportivo vermelho, ao mesmo tempo que usava óculos de sol.
Alguns dirão que os sonhos desta jovem eram fúteis, mas Jeon chegou a ser detida pelas autoridades só porque, um dia, usou um chapéu de inverno onde estavam escritas as palavras “New York”. Saiu em liberdade quando a mãe, comerciante do mercado negro, ofereceu duas dúzias de maços de cigarros à polícia.
Nas últimas semanas, em concreto desde a chegada de Kim Jong-un ao poder, a Coreia do Norte tem surpreendido o mundo com alguns (aparentes) sinais de abertura: o anúncio do casamento do líder; a visita do patrão da Google; a permissão de entrada de telemóveis entrageiros no país; e hoje sabe-se que, pela primeira vez, um americano de origem coreana recebeu o estatuto de cidadão honorário da Coreia do Norte. Isto só para citar alguns exemplos.
Será que estamos a assistir ao nascimento de um novo capítulo no país mais secreto do mundo? Durante as próximas 24 horas, peço-vos que respondam a esta modesta sondagem! Obrigada!
Ainda nunca tinha falado por estas bandas do Gangnam Style. Esse epifenómeno da cultura coreana. E por isso peço perdão. Clemência!
O que é Oppa? O que é Gangnam?
Oppa é um termo que as mulheres coreanas usam quando se dirigem a um amigo ou irmão mais velho. Gangnam é a zona chique de Seul, a capital da Coreia do Sul. É o bairro onde muitos coreanos sonham viver, com restaurantes caros e lojas sofisticadas.
Gangnam é o bairro que o cantor/humorista PSY colocou nas bocas do mundo. O “Gangnam Style” tornou-se de tal forma viral que, em Outubro do ano passado, PSY teve direito a visitar a ONU e a ensinar, ao vivo e a cores, alguns passos da música ao secretário-geral, Ban Ki-moon. Sobretudo aquele que recria o trote do cavalo. Ban Ki-moon e PSY são agora, provavelmente, os dois coreanos mais famosos do mundo.
“Gangnam Style” era o passo que faltava para internacionalizar o pop coreano (conhecido como K-POP), mas também para colocar Gangnam no mapa da rota mundial da moda, do entretenimento e do consumo.
Depois, encontramos outras perspectivas de Gangnam em português, como esta de Luís Mah que escreve, durante este mês de Janeiro, a partir do bairro mais badalado do momento, sobre esta Coreia que entra em 2013 aos comandos de uma mulher: Park Geun-hye. Podem ler no blogue “O Retorno da Ásia”.
“Gangnam Style” entrou de tal forma no ouvido que muitos conseguem cantá-la em coreano, mas poucos devem saber o seu significado. Por isso, fica aqui a tradução do “Gangnam Style”.
Oppa tem o estilo de Gangnam
Estilo de Gangnam
Uma mulher que é quente e amorosa durante o dia
Uma mulher elegante que sabe apreciar uma boa chávena de café
Uma mulher cujo coração aquece quando chega a noite
Uma mulher desse tipo
Eu sou um homem
Um homem que é quente durante o dia, tal como tu
Um homem que toma o seu café todo o dia antes mesmo que ele arrefeça
Um homem cujo coração explode quando chega a noite
Esse tipo de homem
Bonita, adorável
Sim tu, ei, sim és tu, ei
Bonita, adorável
Sim tu, ei, sim és tu, ei
Agora vamos até o fim
Oppa tem o estilo de Gangnam,
O estilo de Gangnam
Oppa tem o estilo de Gangnam,
O estilo de Gangnam
Oppa tem o estilo de Gangnam
Eh mulher sexy
Oppa tem o estilo de Gangnam
Ehh mulher sexy, oh, oh
Eh, eh, eh, eh, eh, eh
Uma mulher que parece inocente, mas que quando joga, joga ‘pra valer
Uma mulher que sabe atirar o cabelo na hora H
Uma mulher que não se mostra, mas é mais sexy do que aquelas que mostram tudo por aí
Uma mulher sensual assim
Eu sou um homem
Um homem que parece educado, mas que quando tem que jogar, joga pra valer
Um homem que vai à loucura na hora H
Um homem que tem mais ideias do que músculos
Esse tipo de homem
Bonita, adorável
Sim tu, ei, sim és tu, ei
Bonita, adorável
Sim tu, ei, sim és tu, ei
Agora vamos até o fim
Oppa tem o estilo de Gangnam,
Estilo de Gangnam
Oppa tem o estilo de Gangnam,
Estilo de Gangnam
Oppa tem o estilo de Gangnam
Ehh mulher sexy
Oppa tem o estilo de Gangnam,
Ehh mulher sexy, oh, oh
Eh, eh, eh, eh, eh, eh
Acima do homem que corre está o homem que voa,
Baby baby,
Eu sou um homem que sabe uma coisa ou duas
Acima do homem que corre está o homem que voa,
Baby baby,
Eu sou o homem que sabe uma coisa ou duas
Tu sabes do que estou a falar
Oppa tem o estilo de Gangnam
Ehh mulher sexy
Oppa tem o estilo de Gangnam
Ehh mulher sexy
Oppa tem o estilo de Gangnam, eh eh
Oppa tem o estilo de Gangnam
E para um pequeno momento de comicidade, temos esta versão em português, dedicada ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho: Gamar com Style!
Estas são as estatísticas deste cantinho do ano que agora se encerra.
Foi um ano pouco produtivo em matéria de escrita? Foi.
Foi o meu primeiro ano enquanto mãe e repórter. Duas dimensões que exigem alguma ginástica quando se trata de aplicar o verbo conjugar.
Serve isto para dizer que uma das resoluções para 2013 será dar uma outra dimensão a este espaço. Voltar a acarinhá-lo, tal como ele e os seus leitores merecem. Obrigada aos que não desapareceram e aos que apareceram pela primeira vez. BOAS SAÍDAS, MELHORES ENTRADAS!!!
Aqui está um excerto:
4,329 films were submitted to the 2012 Cannes Film Festival. This blog had 36.000 views in 2012. If each view were a film, this blog would power 8 Film Festivals
Este título tanto pode ser uma afirmação como uma interrogação.
Quem estuda o enigmático lado Norte da península coreana, diz que há uma nova forma de governar a Coreia do Norte. Um Kim mais dinâmico, com vontade de reformar o país.
Muito pouco se sabe sobre a vida de Kim Jong Un – até Alejandro Cao de Benos o reconhecia em 2010 *- mas o novo líder norte-coreano terá estudado na Suíça e, portanto, terá a noção de que o isolamento só leva o país à pobreza.
Kenji Fujimoto, nome fictício, trabalhou 13 anos como chef para Kim Jong Il, desde o final dos anos 80, e, pela primeira vez em 11 anos, regressou à Coreia do norte, a convite de Kim Jong Un.
De regresso ao Japão, Kenji disse aos jornalistas que o novo Kim quer reformar a Coreia do Norte ao estilo chinês. Terá dito Kim: “quando vou ao Japão ou à Europa vejo que há um grande fluxo de produtos e comida, mas quando chego aqui ao Norte não há nada. Será preciso estudarmos as políticas chinesas?”
A verdade é que Kim Jong Un aparece com mais frequência ao povo do que aparecia o pai, quase sempre acompanhado pela mulher, a sorrir e a dar mais abraços e beijos, e até Mickey e Winnie the Pooh, desenhos animados dos Estados Unidos, já foram aplaudidos pelo “Grande Sucessor”.
O futuro da Coreia do Norte a este Kim pertence. Ou não.
* – Alejandro Cao de Benos é o presidente e fundador da KFA (Korean Friendship Association). Ele garante que é o único estrangeiro a representar a Coreia do Norte fora de portas.