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Archive for the ‘Análise’ Category

Há uns anos, depois de regressar da minha viagem à Coreia do Norte, fui convidada a participar num programa de televisão (cujo nome prefiro não referir) e a primeira questão foi qualquer coisa como: “Então Rita, conta-nos, a Coreia do Norte é mesmo um país assustador, não é?”

De lá para cá, de uma ou de outra forma, a pergunta já me foi colocada 4567 vezes. E confesso que é a pergunta que mais me aborrece, porque ninguém tem pachorra para ouvir o necessário contexto da minha viagem e porque a minha resposta, qualquer que seja, será sempre controversa.

Quem ouve um “não, a Coreia do Norte não é um país assustador” pensa que  estou “feita com os gajos” ou questiona-se “como é possível dizer isso de um país que oprime as pessoas?”

Se responder que sim, que “é assustador”, lá vêm mais 433 pessoas dizer que me limito a reproduzir ideias feitas.

E ambos terão razão. Nem o não nem o sim são respostas boas. A pergunta, convenhamos, também não.

Uma resposta destas não se dá de supetão, mas tento resumir que julgo que apenas vi aquilo que me foi permitido ver; que claro que há muitas dúvidas que nos assaltam a cabeça durante uma visita à Coreia do Norte; que não vi fome declarada; que não vi ninguém a ser executado na rua; que vi bicicletas (outra ideia feita, de que não há bicicletas na rua); e que, apesar de tudo, conheci pessoas extremamente simpáticas e genuinamente boas (e talvez ingenuamente também).

Fechem os olhos. Qual é a primeira imagem da Coreia do Norte que vos vem à cabeça?

a) Kim Jong-un

b) Desfile militar

c) Armas nucleares

d) a pivô da televisão norte-coreana

Eu fecho os meus. E à minha mente vêm imagens como: a Miss Kim encantada com um chapéu de palha; o sorriso de menino de Pak Kwang-ung, enquanto dançava no karaoke de Pyongyang; o canto caloroso das cigarras à entrada de Panmunjon; as duas irmãs de mãos dadas, num passeio de domingo com o avô…

É por isso que é tão difícil escrever sobre a Coreia do Norte. Porque vi (eu vi!) imagens ternurentas e sei que fiz amigos para a vida (embora alguns nunca mais os vá ver) e, ao mesmo tempo, as mesmas imagens podem guardar segredos terríveis. Jamais saberei.

O que sei é que, vítimas do tempo e deste tempo, nós jornalistas habituámo-nos a escolher os caminhos mais fáceis, que pretendem ir ao encontro do imaginário das pessoas, em vez de seguirmos estradas de inclinação acentuada, que clarifiquem (ou mesmo que transformem) mentes menos exercitadas.

Faço um mea culpa. Ninguém é inocente. Mas uns serão condenados enquanto persistirem no erro, outros serão ilibados sempre que tentarem fazer melhor.

Desta vez, o programa de investigação “Panorama da BBC persistiu no erro com a reportagem “Undercover in North Korea”. Os repórteres infiltraram-se numa viagem de estudantes, dizendo que de outra forma, enquanto jornalistas, jamais conseguiriam entrar no país mais fechado do mundo. É a primeira de muitas mentiras. E aquilo que se vê nesta reportagem é apenas a repetição de uma fórmula já gasta.

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[Rita Colaço/Coreia do Norte/2006]

imagem-coreia

Para quem ainda não sabia, a Coreia do Norte tem um calendário próprio, ao ritmo do aniversário do Grande Líder.

Se Kim Il-sung fosse vivo (não sendo é como se fosse) faria hoje 101 anos, mas o calendário marca Juche 102. Kim Il-sung nasceu em 1912 e a partir daí começou o ano 1: Juche 1(Juche é um conceito criado por Kim Il-sung e que significa algo como “a Coreia por ela própria”).

Por isso, o ano de 2013  é para os norte-coreanos o ano de 102.

O dia é especial para (quase) todos os norte-coreaanos, mesmo para aqueles que fugiram do país. Quase todos os dissidentes que tenho entrevistado ao longo dos anos me dizem que Kim Il-sung é visto por todos como um herói. Como o homem que libertou a Coreia do Norte dos japoneses. Como o homem que trouxe prosperidade (até finais da década de 80) para o país. Já Kim Jong-il não reunia a mesma unanimidade e “adoração”.

Daí que o dia 15 de Abril seja, de facto, um dia especial para os norte-coreanos e, neste ano, para o mundo que espera em suspenso por um gesto perigoso de Kim Jong-un.

E porque hoje é dia 15 de Abril, ofereço-vos o remake sonoro da minha viagem à Coreia do Norte em 2006. Um retrato que apenas mostra a versão norte-coreana. Esta é a história tal como me foi contada.

(também podem ouvir aqui, mais ou menos ao minuto 29)

Ainda vos deixo a notícia publicada hoje pela KCNA e que, quanto a mim, traz um tom menos ameaçador e mais reconciliador.

 Pyongyang, April 15 (KCNA) — The dear respected

Kim Jong Un received a letter from the Central Committee of the Anti-Imperialist National Democratic Front (AINDF) on Monday, the birth anniversary of President Kim Il Sung.
The letter said: Thanks to the April 15 when the sun of Juche rose, the Korean nation could put an end to its history of distress interwoven with flunkeyism and national ruin, greet a new bright morning and take the road of eternal happiness and prosperity of the nation with spring sunshine given off from Mangyongdae.
The life of Kim Il Sung was an epic-like one of an invincible hero who clarified the truth that arms are a lifeline of the nation and guarantees the victory of revolution, restored the country by leading to victory the hard-fought battles against the Japanese and the U.S. imperialists under the banner of Songun and honorably defended the sovereignty of the nation.
He brightly indicated the path for national reunification by setting forth just and rational proposals and ways for reunification including the three principles of national reunification, the ten-point programme of the great unity of the whole nation and the proposal for founding the Democratic Federal Republic of Koryo.
The cause of the Songun revolution based on Juche is being successfully carried forward by you Marshal Kim Jong Un, who are identical to Kim Il Sung and leader Kim Jong Il.
In the letter AINDF vowed to glorify the idea of national reunification and leadership feats of Kim Il Sung and Kim Jong Il and vigorously advance for independent reunification, more deeply cherishing in mind the firm belief that Kim Il Sung and Kim Jong Il are always with the Korean people.
It also pledged to join the all-people resistance to frustrate the frantic moves of the hostile forces for a nuclear war and make positive contribution to bringing about a fresh turn in the efforts for national reunification in this significant year which marks the 65th anniversary of the DPRK and the 60th anniversary of the victory of the Korean people in the Fatherland Liberation War in response to the special statement of the government, political parties and organizations of the DPRK.

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Esta noite, quase meio a dormir, ocorreu-me que Kim Jong-un – rapaz tido como calmo e com algum mundo – poderá ver a guerra como o único meio para libertar um país oprimido há mais de 60 anos.

Tenho para mim que toda e qualquer guerra é estúpida.

Porém, será que se pode perdoar o mal que uma guerra faz pela (aparente) liberdade que ela possa trazer?

Gostava mesmo muito de ler os vossos comentários.

Aqui ou lá na página do Facebook.

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Qual é a dimensão da verdade quando a realidade está a 10 mil quilómetros ou apenas a alguns centímetros dos olhos?

Provavelmente, jamais saberemos. Porém, dois turistas acabadinhos de chegar da Coreia do Norte contam aqui as suas impressões.

Um deles, Patrick Thornquist, faz o resumo perfeito da dificuldade que é distinguir aquilo que se vê daquilo que se VÊ.

You try to grasp what is real and what is not. You’re trying to find that balance between what your media tells you and what they’re telling you because they’re very far off.

E mesmo VENDO/OUVINDO nunca teremos a certeza de como as coisas realmente são.

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Hoje já li várias versões de resposta (parece que os ministros sul-coreanos não se entendem):

Seul: ministros não vêem sinais de preparação para testes nucleares na Coreia do Norte

Coreia do Norte está a preparar mais um teste nuclear?

Coreia do Norte “prepara-se para quarto teste nuclear”

Por sua vez, a Coreia do Norte mantém-se indiferente aos apelos à calma por parte de vários protagonistas:

ONU apela à Coreia do Norte para evitar provocações

Kaesong impasse unlikely to be resolved by dialogue: unification minister

E depois de bloquear o acesso dos funcionários sul-coreanos ao complexo industrial de Kaeson:

Coreia do Norte anuncia retirada de seus trabalhadores de complexo industrial

A Coreia do Norte, através da sua agência de notícias KCNA, ao mesmo tempo que ameaça diz que é ameaçada:
Minister of Defense of south Korea Kim Kwan Jin openly disclosed his scenario to dispatch a special unit of the U.S. forces to the zone, while crying out for an operation for “rescuing hostages”. Kim Yang Gon branded the scheme as an intentional provocation to make the zone a starting point of a war.

 

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Lembram-se de Arnaldo Carrilho?

Ele foi o primeiro embaixador do Brasil na Coreia do Norte e deu ontem uma entrevista ao canal online Café na Política.

É um ex-insider que passou três anos na Coreia do Norte e que pode dar uma fotografia mais fiel do país mais isolado do mundo.

Arnaldo Carrilho considera que o Brasil pode ser um importante desbloqueador da tensão que se vive nesta geografia asiática, no contexto do bloco alternativo às grandes potências formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS).

É uma entrevista muito interessante. Vale mesmo a pena ver.

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…que têm sido (aparentemente) muito agitados.

Por vezes, não sei se são, de facto, as coisas a agudizarem-se ou se os media estão sem assunto e apontam, de novo, a agulha para a península coreana.

As ameaças que vêm da Coreia do Norte têm apenas uma diferença, um novo protagonista: Kim Jong-un. Mas é apenas a minha opinião. Outros – a maioria – terão outra.

De qualquer forma, deixo-vos algumas das ideias que têm sido publicadas a propósito da mais recente escalada de violência verbal.

Why North Korea Keeps On Raising Peninsula Tensions?

U.S. Defense officials: North Korean threats are ‘bellicose rhetoric’

Reporter In Seoul Reveals South Korea’s Real Attitude Towards North Korea

A versão norte-coreana pelo catalão Alejandro Cao de Benos

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Hoje é dia de São Valentim. E quem ama também odeia.

Uma boa história de amor tem sempre, admitamos, uma boa briga pelo meio.

Briga-se sabendo que se ama.

A China condenou o mais recente teste nuclear norte-coreano, mas nunca o volume de negócios entre estes dois países vizinhos foi tão intenso. A China dá o combustível ao país que incendeia o mundo com as suas acções; e a Coreia do Norte presenteia a China com os seus preciosos minerais.

Isto é ou não, afinal, aquilo a que muitos chamam de amor?

Imagem

[imagem retirada daqui]

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Depois do polémico post sobre o soldado Young Jin Han, cumpre-me partilhar convosco este artigo muito interessante da revista The Economist sobre uma sociedade fechada onde estão a acontecer paulatinas mudanças. Onde o capitalismo começa a espreitar por detrás da cortina. Onde o dinheiro serve de suborno a quem não quer ter problemas. Onde os habitantes conseguem ter, cada vez mais, acesso às noticias do exterior e estão a perder o medo de partilhar informação.

De acordo com o mesmo artigo, esta última mudança tem dois efeitos. Por um lado, quem acede a essa informação consegue, naturalmente, perceber as discrepâncias no que se refere ao nível de vida e, portanto, começa a não ter problemas de consciência em secundarizar o “amor” ao regime, para dar prioridade ao dinheiro e ao contrabando de produtos vindos da China. Por outro lado, a nova torrente informativa dá uma nova perspectiva da Coreia do Norte aos chamados “outsiders”. Ou seja, quase todos nós.

E no meio de tantas novas perspectivas, destaco a da jovem norte-coreana Jeon Geum que fugiu do seu país em 2011. Fugiu, não porque passava fome, mas porque – graças à informação que ia obtendo ilegalmente (através de filmes sul-coreanos e americanos) – sonhava poder usar jeans, jóias e conduzir um carro desportivo vermelho, ao mesmo tempo que usava óculos de sol.

Alguns dirão que os sonhos desta jovem eram fúteis, mas Jeon chegou a ser detida pelas autoridades só porque, um dia, usou um chapéu de inverno onde estavam escritas as palavras “New York”. Saiu em liberdade quando a mãe, comerciante do mercado negro, ofereceu duas dúzias de maços de cigarros à polícia.

Leiam, aqui.

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Nas últimas semanas, em concreto desde a chegada de Kim Jong-un ao poder, a Coreia do Norte tem surpreendido o mundo com alguns (aparentes) sinais de abertura: o anúncio do casamento do líder; a visita do patrão da Google; a permissão de entrada de telemóveis entrageiros no país; e hoje sabe-se que, pela primeira vez, um americano de origem coreana recebeu o estatuto de cidadão honorário da Coreia do Norte. Isto só para citar alguns exemplos.

Será que estamos a assistir ao nascimento de um novo capítulo no país mais secreto do mundo? Durante as próximas 24 horas, peço-vos que respondam a esta modesta sondagem! Obrigada!

[Entretanto, este blogue passou à 2ª e última fase do concurso dos melhores blogues de 2012. Por favor, continuem a votar, até ao próximo sábado, aqui http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-2a-fase/]

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Eu, Rita Colaço, me confesso.

Ainda nunca tinha falado por estas bandas do Gangnam Style. Esse epifenómeno da cultura coreana. E por isso peço perdão. Clemência!

O que é Oppa? O que é Gangnam?

Oppa é um termo que as mulheres coreanas usam quando se dirigem a um amigo ou irmão mais velho. Gangnam é a zona chique de Seul, a capital da Coreia do Sul. É o bairro onde muitos coreanos sonham viver, com restaurantes caros e lojas sofisticadas.

Gangnam é o bairro que o cantor/humorista PSY colocou nas bocas do mundo. O “Gangnam Style” tornou-se de tal forma viral que, em Outubro do ano passado, PSY teve direito a visitar a ONU e a ensinar, ao vivo e a cores, alguns passos da música ao secretário-geral, Ban Ki-moon. Sobretudo aquele que recria o  trote do cavalo. Ban Ki-moon e PSY são agora, provavelmente, os dois coreanos mais famosos do mundo.

“Gangnam Style” era o passo que faltava para internacionalizar o pop coreano (conhecido como K-POP), mas também para colocar Gangnam no mapa da rota mundial da moda, do entretenimento e do consumo.

O K-POP tem inúmeros fãs portugueses, amantes da música e culturas coreanas. Há um grupo de amigas que criou o KPOPT e há também um movimento com página no facebook: o I Love Korea. Há também canais de televisão em Portugal dedicados ao K-POP, através do Meo Kanal.

Depois, encontramos outras perspectivas de Gangnam em português, como esta de Luís Mah que escreve, durante este mês de Janeiro, a partir do bairro mais badalado do momento, sobre esta Coreia que entra em 2013 aos comandos de uma mulher: Park Geun-hye. Podem ler no blogue “O Retorno da Ásia”.

“Gangnam Style” entrou de tal forma no ouvido que muitos conseguem cantá-la em coreano, mas poucos devem saber o seu significado. Por isso, fica aqui a tradução do “Gangnam Style”.

Oppa tem o estilo de Gangnam
Estilo de Gangnam

Uma mulher que é quente e amorosa durante o dia

Uma mulher elegante que sabe apreciar uma boa chávena de café

Uma mulher cujo coração aquece quando chega a noite

Uma mulher desse tipo

Eu sou um homem

Um homem que é quente durante o dia, tal como tu

Um homem que toma o seu café todo o dia antes mesmo que ele arrefeça

Um homem cujo coração explode quando chega a noite

Esse tipo de homem

Bonita, adorável

Sim tu, ei, sim és tu, ei

Bonita, adorável

Sim tu, ei, sim és tu, ei

Agora vamos até o fim

Oppa tem o estilo de Gangnam,

O estilo de Gangnam

Oppa tem o estilo de Gangnam,

O estilo de Gangnam

Oppa tem o estilo de Gangnam

Eh mulher sexy

Oppa tem o estilo de Gangnam

Ehh mulher sexy, oh, oh

Eh, eh, eh, eh, eh, eh

Uma mulher que parece inocente, mas que quando joga, joga ‘pra valer

Uma mulher que sabe atirar o cabelo na hora H

Uma mulher que não se mostra, mas é mais sexy do que aquelas que mostram tudo por aí

Uma mulher sensual assim

Eu sou um homem

Um homem que parece educado, mas que quando tem que jogar, joga pra valer

Um homem que vai à loucura na hora H

Um homem que tem mais ideias do que músculos

Esse tipo de homem

Bonita, adorável

Sim tu, ei, sim és tu, ei

Bonita, adorável

Sim tu, ei, sim és tu, ei

Agora vamos até o fim

Oppa tem o estilo de Gangnam,

Estilo de Gangnam

Oppa tem o estilo de Gangnam,

Estilo de Gangnam

Oppa tem o estilo de Gangnam

Ehh mulher sexy

Oppa tem o estilo de Gangnam,

Ehh mulher sexy, oh, oh

Eh, eh, eh, eh, eh, eh

Acima do homem que corre está o homem que voa,

Baby baby,

Eu sou um homem que sabe uma coisa ou duas

Acima do homem que corre está o homem que voa,

Baby baby,

Eu sou o homem que sabe uma coisa ou duas

Tu sabes do que estou a falar

Oppa tem o estilo de Gangnam

Ehh mulher sexy

Oppa tem o estilo de Gangnam

Ehh mulher sexy

Oppa tem o estilo de Gangnam, eh eh

Oppa tem o estilo de Gangnam

E para um pequeno momento de comicidade, temos esta versão em português, dedicada ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho: Gamar com Style!

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Agora no Facebook!

“Coreia do Norte: um segredo de Estado” acaba de chegar ao Facebook!

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Façam like/gosto, comentem, critiquem, dêem sugestões e/ou coloquem links.

E, sobretudo, partilhem! Estão todos convidados!

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Os números de 2012

Estas são as estatísticas deste cantinho do ano que agora se encerra.

Foi um ano pouco produtivo em matéria de escrita? Foi.

Foi o meu primeiro ano enquanto mãe e repórter. Duas dimensões que exigem alguma ginástica quando se trata de aplicar o verbo conjugar.

Serve isto para dizer que uma das resoluções para 2013 será dar uma outra dimensão a este espaço. Voltar a acarinhá-lo, tal como ele e os seus leitores merecem. Obrigada aos que não desapareceram e aos que apareceram pela primeira vez. BOAS SAÍDAS, MELHORES ENTRADAS!!!

Aqui está um excerto:

4,329 films were submitted to the 2012 Cannes Film Festival. This blog had 36.000 views in 2012. If each view were a film, this blog would power 8 Film Festivals

Clique aqui para ver o relatório completo

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Este título tanto pode ser uma afirmação como uma interrogação.

Quem estuda o enigmático lado Norte da península coreana, diz que há uma nova forma de governar a Coreia do Norte. Um Kim mais dinâmico, com vontade de reformar o país.

Muito pouco se sabe sobre a vida de Kim Jong Un – até Alejandro Cao de Benos o reconhecia em 2010 *- mas o novo líder norte-coreano terá estudado na Suíça e, portanto, terá a noção de que o isolamento só leva o país à pobreza.

Kenji Fujimoto, nome fictício, trabalhou 13 anos como chef para Kim Jong Il, desde o final dos anos 80, e, pela primeira vez em 11 anos, regressou à Coreia do norte, a convite de Kim Jong Un.

De regresso ao Japão, Kenji disse aos jornalistas que o novo Kim quer reformar a Coreia do Norte ao estilo chinês. Terá dito Kim: “quando vou ao Japão ou à Europa vejo que há um grande fluxo de produtos e comida, mas quando chego aqui ao Norte não há nada. Será preciso estudarmos as políticas chinesas?”

A verdade é que Kim Jong Un aparece com mais frequência ao povo do que aparecia o pai, quase sempre acompanhado pela mulher, a sorrir e a dar mais abraços e beijos, e até Mickey e Winnie the Pooh, desenhos animados dos Estados Unidos, já foram aplaudidos pelo “Grande Sucessor”.

O futuro da Coreia do Norte a este Kim pertence. Ou não.

* – Alejandro Cao de Benos é o presidente e fundador da KFA (Korean Friendship Association). Ele garante  que é o único estrangeiro a representar a Coreia do Norte fora de portas.

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Há quase seis anos, quando decidi abrir este espaço – o primeiro em português, exclusivamente dedicado à península coreana – julguei que iria ser muito difícil encontrar, diariamente, notícias sobre um dos países mais fechados do mundo.

Passado pouco tempo, fiquei espantada com a torrente informativa que chega desta inopinada geografia. São notícias produzidas quase ao minuto, com origem, sobretudo, na Coreia do Sul, no Japão e, ocasionalmente, nos Estados Unidos.

No entanto, quase todas as “notícias” surgem acompanhadas de um sublinhado: “uma fonte anónima”, “uma informação não confirmada” ou “dados não confirmados”.

Coloco a palavra “notícias” entre aspas para dar início a uma reflexão semântica, após a leitura deste artigo da Associated Press.

O que é “notícia” quando nos referimos a um país-eremita?

Diria que, à partida, uma “notícia” é uma novidade que deve ser confirmada para informar com verdade, embora o dicionário também admita que uma “notícia” é o “relato de um acontecimento feito por um jornalista ou à maneira de um jornalista”. E relatar implica descrever aquilo que se vê, admitindo a subjectividade de um olhar.

A Coreia do Norte raramente se deixa ver ou confirmar. Isto é, como diz à Associated Press, Kim Byeong-jo, professor da Korea National Defense University, em Seul: “The less we know about a country, the more rumors we tend to create about it.” Ou então, “when curiosity is especially strong, rumors grow more sensational. … Imagination takes over where facts are scarce and sources are unclear.”

Na Coreia do Sul, titula o artigo supra-citado que há uma “especulação desenfreada sobre a Coreia do Norte”. Os jornais, as televisões e as rádios têm editorias e jornalistas exclusivamente dedicados a “notícias” sobre a Coreia do Norte. O mesmo é dizer, especialistas em rumores norte-coreanos.

O artigo da Associated Press vem a propósito da “notícia” do afastamento do vice-marechal norte-coreano Ri Yong Ho. A Coreia do Norte anunciou que o afastamento ficou a dever-se a questões de saúde, mas a “notícia”, fora de portas, não pegou.

“It takes time for real facts to emerge when information is controlled. In North Korea’s case, it takes even longer, and, worse yet, truth may never even surface.”

A frase do professor Kim Byeong-jo é uma espécie de resumo para o ponto prévio que é necessário fazer de tempos a tempos.

A palavra notícia – e o que ela significa – sobre a Coreia do Norte, será sempre grafada entre-aspas. Mesmo que o sinal gráfico não esteja lá.

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[Foto gentilmente retirada daqui]

Kim Jong-un estará a seguir o exemplo do pai e do avô, ao livrar-se, desta vez, do vice marechal Ri Yong Ho (à esquerda na foto), o homem que o ajudou na difícil tarefa de sucessão.

A agência oficial de notícias, KCNA, escreve que Ri Yong Ho foi afastado de diversos cargos por razões de saúde. Já a agência Associated Press estranha porque o mentor de Kim Jong-un foi visto há poucos dias em público e parecia gozar de perfeita saúde.

A fórmula para afastar incómodos não será nova.

 

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[Foto retirada daqui]

Este míssil foi exibido na praça Kim Il-sung, no dia em que se celebraram os 100 anos do fundador da República Popular Democrática da Coreia.

Os analistas utilizam o argumento de que o metal deste míssil apresenta algumas ondulações, ou seja, é demasiado fino para suportar um voo.

David Wright, um físico da Union of Concerned Scientists, diz que estes mísseis – que se chamam KN-08s – parecem ser uma “representação trapalhona de um míssil que está em vias de desenvolvimento”.

No dia 15 de Abril, altura do aniversário do “Grande Líder”, o vice-marechal norte-coreano Ri Yong Ho sentiu necessidade de alegar que a Coreia do Norte tem arsenal suficiente para derrotar os Estados Unidos “de um só golpe”. Uma afirmação poucos dias depois do lançamento falhado do foguetão Unha-3.

Também no dia do centenário de nascimento do avô, Kim Jong-un fez o seu primeiro discurso público enquanto líder norte-coreano. Fica o vídeo com tradução em inglês:

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A convite do Centro de Estudos do Curso de Relações Internacionais da Universidade do Minho, em Braga, vou participar, esta quarta-feira, dia 29, na tertúlia: “Coreia do Norte – que futuro?”.

José Duarte de Jesus, antigo Embaixador de Portugal na Coreia do Norte, também vai participar no encontro.

A partir das 14 horas, no anfiteatro 1.01 da EEG, vamos tentar projectar o futuro de um dos países mais secretos do mundo, depois da morte de Kim Jong-il.

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N. Korea pleading for food aid —minister

How Did a North Korean Restaurant Wind Up in Northern Virginia?

4 N. Koreans to stay here, 27 to return

‘Seoul awaits positive response from NK on Lee’s proposal’

Decoding ‘guanxi’ in China’s approach to NK

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[Imagem gentilmente retirada de bfamobile.com]

Há dias, a Coreia do Norte apareceu como líder mundial no que toca à utilização de telemóveis 3G.

No entanto, é preciso esclarecer que estes dados referem-se ao número de pessoas que, tendo um telemóvel, estão conectadas à tecnologia 3G. Naturalmente que, sendo o acesso à rede móvel um facto tão recente na Coreia do Norte, não é de espantar que os seus utilizadores apanhem a carruagem da frente.

Num total de cerca de 301 mil subscrições móveis norte-coreanas, 99,9 por cento são ligações de  3ª geração.

Só em Portugal, por exemplo, existem mais de 10 milhões de subscrições de telemóveis, mas a taxa de penetração do 3G anda à volta dos 30 por cento.

Daqui se depreende como as estatísticas podem ser traiçoeiras e os títulos dos jornais, por vezes, demasiado redutores.

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              [Foto: KCNA - Monte Paektu, lugar onde alegadamente nasceu Kim Jong Il]

Kim Jong Il faz hoje anos. Esse parece ser um facto.

A dúvida está no ano de nascimento. De acordo com os norte-coreanos, o líder faz hoje apenas 69 anos, mas há documentos russos e norte-americanos que dizem que Kim Jong Il nasceu em 1941 e que, portanto, completa hoje 70 anos.

A data terá sido forjada pelo Grande Líder, Kim Il Sung, até porque assim ficariam – pai e filho – com uma redonda diferença de idades de 30 anos. Significa que, pelos cálculos norte-coreanos, 2012 servirá para marcar o centenário do presidente eterno, Kim Il Sung, e o septuagenário do actual líder Kim Jong Il. Uma coincidência que dará, certamente, origem a vastas celebrações no próximo ano.

E some-se a sucessão que está na calha e tudo calha bem em 2012. Não havendo certezas de quando nasceu Kim Jong Un (o próximo na cadeira do poder), suspeita-se que o rapaz terá 28 anos. Ora, se ele fizer 29 ainda este ano, fará 30 no próximo que é, precisamente, 2012!

Mas voltando ao aniversário de Kim Jong Il, entre outras prendas, o líder norte-coreano recebeu mais uma dissidência no sapato. Um norte-coreano atravessou a fronteira do paralelo 38 rumo à Coreia do Sul, virando as costas às celebrações do aniversário de Kim Jong Il.

Enquanto isso, a poucas horas das celebrações, Kim Jong Chul, o segundo filho de Kim Jong Il, terá sido visto em Singapura a assistir a um concerto de Eric Clapton. Se calhar estava a convencer o músico britânico a dar um espectáculo em Pyongyang. É que, não vai há muito tempo, a Coreia do Norte convidou Eric Clapton a dar música ao líder, mas até agora…nada.

A Coreia do Sul também quis associar-se às festividades do líder vizinho e, como já vem sendo hábito, enviou balões para o Norte da península com mensagens anti-Pyongyang.

Escreve o  The Guardian que as celebrações deste ano não tiveram grande aparato e que o governo norte-coreano não conseguiu cumprir a tradição de distribuir rações alimentares mais generosas por toda a população, sempre que se assinala o aniversário de Kim Jong Il ou do presidente eterno já morto, Kim Il Sung.

Parece até que as embaixadas da Coreia do Norte, espalhadas pelo mundo, receberam ordens para lançarem apelos de ajuda alimentar aos governos estrangeiros.

Porém, basta ler a KCNA (a agência de notícias norte-coreana) para se perceber cada vez menos o que se passa neste país. Quando é que nos preocupamos a sério?

People from all walks of life and school youth and children significantly celebrated the birthday of leader Kim Jong Il.
An endless stream of officials, working people and school youth and children visited the venue of the 15th Kimjongilia Festival in Pyongyang and the Kimjongilia exhibition halls in provinces.
Performances were given at theaters and halls in Pyongyang, Kanggye, Hamhung, Chongjin and Wonsan cities, Taehongdan, Phyongwon and Kangryong counties and other areas before capacity audience.
Workers of the Kim Chaek Iron and Steel Complex significantly spent the holiday enjoying art performance, while producing much more iron and steel.
Sports and amusement games including volleyball, Korean chess and Yut-games were held in units including the February 8 Vinalon Complex, the Musan Mining Complex, the Namhung Youth Chemical Complex, the Anju Area Coal Complex, the Sinuiju Cosmetics Factory and the Hyesan Youth Mine.

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No Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, na Suíça, o professor chinês, Yan Xuetong, considera que as relações entre o Norte e o Sul da Península Coreana não vão melhorar enquanto Lee Myung-bak  for presidente da Coreia do Sul.

Por isso, diz Yan, o melhor que a Coreia do Norte tem a fazer é esperar pelo próximo presidente:

Yan, who is dean of the Institute of International Studies at Tsinghua University, said this means North Korean officials will be “very patient” and will wait to engage with South Korea’s next president in two years when Lee’s term ends.

Speaking at a panel Wednesday at the World Economic Forum, Yan said China’s main concern is to avoid war on the Korean peninsula and ensure stability.

“So at this moment, from my understanding, our policy is very clear — try to stabilize the (Korean) relationship and prevent any military clashes,” Yan said.

“The question is how should we make this region peaceful?” he said. “That’s why we strongly support the Sunshine policy because the Sunshine policy can keep (the) North and South at peace.”

(continuar a ler)

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E agora?

A pergunta tem-me sido feita várias vezes desde ontem: e agora? É desta que as Coreias entram em guerra?

Não é a primeira vez que a Coreia do Norte ameaça o mundo com a guerra. Mas desta vez há vítimas, e vítimas civis. E as ameaças que antes choviam em palavras ontem choveram em fogo de armas.

O ataque de Pyongyang apanhou todos de surpresa, até a China. E será que até mesmo a Coreia do Norte? Será que os norte-coreanos queriam apenas “assustar” os militares vizinhos e as contas saíram falhadas? O que se passou na cabeça de Kim Jong-il? O homem é louco mas não tanto. Sabe que apontar armas à Coreia do Sul é como apontar armas a meio-mundo.  Mas será que este foi um aviso de que o regime está vivo e recomenda-se, agora que Kim Jong-un foi apresentado como o senhor que se segue?

A experiência ensina-me que quando o mundo passa muito tempo sem falar da Coreia do Norte, o (muito pouco) “Querido Líder” encarrega-se de agitar a memória. E fá-lo, muitas vezes, para que daí surjam contrapartidas: alimentos, energia ou dinheiro. Fá-lo porque não sabe pedir ajuda e para não perder a face. Acredito que este ataque seja o resultado de uma situação de aperto na Coreia do Norte que jamais confirmaremos, a menos que o muro caia.

Se é desta que há guerra? Duvido que alguém queira ficar com a factura de um país de 23 milhões de habitantes que está há mais de 60 anos fechado para o mundo. A China precisa do regime totalitário da Coreia do Norte, a Coreia do Sul não quer perder o estatuto de potência económica, o Japão só quer distância da antiga colónia e os Estados Unidos não têm orçamento para mais uma guerra, ainda por cima na Coreia do Norte.

Se é desta que há guerra? Mas… já tinha acabado?

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Não, ainda não estou de férias…estou de trabalho, muito trabalho, o que acaba por também justificar estas ausências prolongadas de escrita.

O assunto mais comentado das últimas horas refere-se ao destino dos jogadores norte-coreanos que participaram no mundial de futebol.

[Foto: Yonhap]

A Radio Free Asia escreve que os jogadores foram sujeitos a uma dura sessão de crítica pública.

Alertada pelo leitor Ivo – a quem agradeço – percebi que o assunto tem dado pano para mangas no blogue 5dias. Não tanto pelo teor da notícia, mas mais pela sua origem. Vale a pena espreitar o que escreve o autor Tiago Mota Saraiva e os comentários que se seguiram. Como também vale a pena ler o que escreveu João José Cardoso no blogue Aventar.

Como vale sempre a pena debater.

E já agora, vale a pena ler esta notícia: “Diplomatas da Coreia do Norte apreenderam na Birmânia uma biografia de Kim Jong-il”.

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Regresso ao relatório da Amnistia Internacional (AI) porque está semeada a polémica.

Relembrando: a AI entrevistou cerca de 40 dissidentes da Coreia do Norte e chegou à conclusão de que “o sistema de saúde está em ruínas”.

Grandes cirurgias, incluindo amputações, são feitas sem anestesia, as seringas não são esterilizadas e os lençóis não são lavados frequentemente. É esta a realidade de muitos hospitais da Coreia do Norte, de acordo com um relatório da Amnistia Internacional. O quadro traçado do sistema de saúde norte-coreano dificilmente poderia ser mais negro.

O porta-voz da Organização Mundial de Saúde (OMS), Paul Garwood, considera que o documento é “anecdotal”  porque os testemunhos reportam-se a 2001. Os artigos publicados na Web portuguesa acabaram por traduzir esse “anecdotal” como “anedota”. Na verdade, “anecdotal” aqui quer dizer “duvidoso”. Eu própria, na pressa de publicar a notícia, caí no mesmo erro. Graças a leitores atentos – como o Pedro (obrigada!) – fica aqui a correcção e, já agora, a lição de como uma palavra mal-entendida por originar mal-entendidos. Neste caso, apesar deste “lost in translation”, a palavra não retira o tom de descredibilização do porta-voz da OMS em relação ao relatório da Amnistia:

Garwood said Thursday’s report by Amnesty was mainly anecdotal, with stories dating back to 2001, and not up to the U.N. agency’s scientific approach to evaluating health care. “All the facts are from people who aren’t in the country,” Garwood told reporters in Geneva. “There’s no science in the research.” The issue is sensitive for WHO because its director-general, Margaret Chan, praised the communist country after a visit in April and described its health care as the “envy” of most developing nations.

No relatório original, a AI diz que recolheu testemunhos de norte-coreanos que fugiram do país, a maior parte, entre 2004 e 2009.

Questão para discussão: o facto destas pessoas já não se encontrarem na Coreia do Norte retira validade aos seus testemunhos?

“North Korea has failed to provide for the most basic health and survival needs of its people.  This is especially true of those who are too poor to pay for medical care,” said Catherine Baber, Amnesty International’s Deputy Director for the Asia-Pacific. According to the World Health Organization’s last available figures, North Korea spent less on healthcare than any other country in the world – under US$1 per person per year in total. The North Korean government still claims that its healthcare system is free for all, but many witnesses told Amnesty International that they have had to pay for all services since the 1990s, with doctors usually paid in cigarettes, alcohol or food for the most basic consults, and taking cash for tests or surgery.

A  directora-geral da OMS, Margareth Chan, visitou o país ainda este ano e  disse que o sistema de saúde norte-coreano faz inveja a muitos sistemas de saúde de países desenvolvidos. Fui recuperar essas declarações:

UN health agency chief Margaret Chan said on Friday after a visit to North Korea that the country’s health system would be the envy for most developing countries although it faced “challenges”. “Based on what I have seen, I can tell you they have something that most other developing countries would envy,” she told journalists, despite reports of renewed famine in parts of the country. “To give you a couple of examples, DPRK has no lack of doctors and nurses, as we see in other developing countries, most of their doctors and nurse have migrated,” the director general of the World Health Organisation said. She also highlighted its “very elaborate health infrastructure” extending to a district network of household doctors, she added.

Margaret Chan baseou ainda os seus elogios nas estatísticas norte-coreanas e esteve apenas três dias na Coreia do Norte.

O sistema de saúde norte-coreano terá melhorado assim tanto, desde que os dissidentes ouvidos pela AI fugiram, a ponto de ser agora um dos melhores do mundo?

Quem pode afirmar que aquilo que Margaret Chan viu – em apenas três dias – é um retrato fiel da realidade norte-coreana? E quem pode afirmar que não é?

Espero reacções.

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É já daqui a poucas horas. E confesso o meu entusiasmo, apesar de perceber pouco de bola.

A Coreia do Norte entrou na minha vida há alguns anos e eu já pisei a Coreia do Norte há quatro. Conheci pessoas maravilhosas e sei que elas vão vibrar, se tiverem oportunidade de ver o jogo na única televisão do regime e do país. Podem não vibrar com bandeiras, vuvuzelas, ou com os apetrechos de todas as supostas democracias que têm descido ao relvado sul-africano, mas podem ter brilho no olhar, ritmo no coração e esperança. Isso nenhum “Querido” ou “Grande Líder” pode roubar a um homem. Nem nenhum homem pode querer ser um país inteiro.

Espero, sinceramente, que se evitem comentários batidos, ideias feitas e piadolas de mau gosto sobre um país que poucos ou nenhuns conhecem: os que já lá entraram e até mesmo os que lá vivem. E evitemos por isso mesmo, porque lá vivem pessoas. Como eu. Como nós. A História – espero que breve – encarregar-se-à de julgar quem tiver de julgar. Por agora, limitemo-nos a apreciar um jogo de futebol e deixem-me trazer José Saramago:

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

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Preconceitos

Li agora no blogue Jornalismo B e parece-me ser uma reflexão indispensável:

A Copa do Mundo tem sido uma boa oportunidade para a mídia hegemônica brasileira escancarar seus preconceitos e mostrar que respeito à diversidade não é, definitivamente, seu ponto mais forte. A reportagem de Marcos Uchôa que foi ao ar no Jornal Nacional do último sábado (12/06) é um enxame de desrespeito, ironia e ignorância – padrão Globo de qualidade.

Já na cabeça – chamada da matéria lida pelo âncora (no caso, Fátima Bernardes) – o treino da Coréia do Norte, primeiro adversário da Seleção Brasileira, foi chamado de “esquisito”. E isso foi o que de mais amistoso foi dito ao longo do minuto e meio que se seguiu. (continua…)

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As lágrimas de Jong Tae-se estão a correr mundo.

O El Mundo, por exemplo, conta a história deste jogador que nasceu no Japão mas não é japonês; que é sul-coreano mas joga na selecção vizinha; que é cidadão da Coreia do Norte mas nunca lá esteve e mora no Japão. Confuso? Pois…também não é para menos. Leia-se, então:

Good Bye, Kim Jong Il

A Coreia do Norte surpreendeu no jogo frente ao Brasil e muitos falam disso. Aqui fica uma breve passagem pelos títulos internacionais:

North Korean media: Squad fought ‘fierce’ battle against Brazil

Brazil vs. North Korea: Kim Jong Il’s soccer soldiers hold firm, deny Brazil goal fest

Football king nation Brazil struggle to beat N. Korea

Brazil Gains Cold Win Against Unheralded Team

E ainda uma reportagem sobre os apoiantes – chineses – da selecção da Coreia do Norte.

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Antes da partida, o jogador Jong Tae-se não conteve as lágrimas quando ouviu o hino da Coreia do Norte no estádio Ellis Park, em Joanesburgo.

O Brasil venceu a Coreia do Norte mas foi uma vitória com suor. Portugal que se ponha a pau!

Aqui ficam os golos!

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Na Foreign Policy, o professor Daniel W. Drezner analisa a “cada vez mais insustentável situação de Israel” e – a páginas tantas – estabelece uma comparação entre aquele Estado judaico e a Coreia do Norte. Excluindo a questão do crescimento económico, escreve Drezner, muito mais é aquilo que os une do que aquilo que os separa:

Indeed, the parallels between Israel and — gulp — North Korea are becoming pretty eerie.  True, Israel’s economy is thriving and North Korea’s is not.  That said, both countries are diplomatically isolated except for their ties to a great power benefactor.   Both countries are pursuing autarkic policies that immiserate millions of people.  The majority of the population in both countries seem blithely unaware of what the rest of the world thinks.  Both countries face hostile regional environments.  Both countries keep getting referred to the United Nations.  And, in the past month, the great power benefactor is finding it more and more difficult to defend their behavior to the rest of the world.

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