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Archive for Novembro, 2010

Da Coreia do Sul

O embaixador de Portugal na Coreia do Sul, Henrique Silveira Borges, foi esta manhã entrevistado pelo jornalista Luís Nascimento, da Antena 1.

Henrique Silveira Borges reconhece que, apesar da tensão, os sul-coreanos não reagem de forma dramática a notícias de um possível ataque  norte-coreano porque, de alguma forma, já se habituaram ao tom de ameaça.

O embaixador português em Seul diz, no entanto, que é preciso não subestimar a actual situação, até porque é a primeira vez que há vítimas civis, desde o fim da Guerra da Coreia em 1953.

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E agora?

A pergunta tem-me sido feita várias vezes desde ontem: e agora? É desta que as Coreias entram em guerra?

Não é a primeira vez que a Coreia do Norte ameaça o mundo com a guerra. Mas desta vez há vítimas, e vítimas civis. E as ameaças que antes choviam em palavras ontem choveram em fogo de armas.

O ataque de Pyongyang apanhou todos de surpresa, até a China. E será que até mesmo a Coreia do Norte? Será que os norte-coreanos queriam apenas “assustar” os militares vizinhos e as contas saíram falhadas? O que se passou na cabeça de Kim Jong-il? O homem é louco mas não tanto. Sabe que apontar armas à Coreia do Sul é como apontar armas a meio-mundo.  Mas será que este foi um aviso de que o regime está vivo e recomenda-se, agora que Kim Jong-un foi apresentado como o senhor que se segue?

A experiência ensina-me que quando o mundo passa muito tempo sem falar da Coreia do Norte, o (muito pouco) “Querido Líder” encarrega-se de agitar a memória. E fá-lo, muitas vezes, para que daí surjam contrapartidas: alimentos, energia ou dinheiro. Fá-lo porque não sabe pedir ajuda e para não perder a face. Acredito que este ataque seja o resultado de uma situação de aperto na Coreia do Norte que jamais confirmaremos, a menos que o muro caia.

Se é desta que há guerra? Duvido que alguém queira ficar com a factura de um país de 23 milhões de habitantes que está há mais de 60 anos fechado para o mundo. A China precisa do regime totalitário da Coreia do Norte, a Coreia do Sul não quer perder o estatuto de potência económica, o Japão só quer distância da antiga colónia e os Estados Unidos não têm orçamento para mais uma guerra, ainda por cima na Coreia do Norte.

Se é desta que há guerra? Mas… já tinha acabado?

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Das palavras…

[Foto Reuters]

… aos actos.

A Coreia do Norte bombardeou a ilha sul-coreana de Yeongpyeong, no Mar Amarelo, num ataque que – de acordo com a Coreia do Sul – tirou a vida a dois militares sul-coreanos e feriu 20 pessoas, entre eles três civis.

Ainda não se sabe o que motivou este ataque norte-coreano, já amplamente condenado pela comunidade internacional. Pyongyang diz – por intermédio da agência KCNA – que os norte-coreanos apenas responderam ao fogo vizinho, mas sem grandes detalhes. Em comunicado, a Coreia do Norte promete continuar com os ataques se os sul-coreanos se atreverem a invadir o seu território.

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Hoje,  a ACEP (Associação para a Cooperação entre os Povos) lança o livro-agenda perpétua “52 histórias”.

“Num livro ilustrado evocando uma agenda perpétua, ao longo de 52 semanas sucedem-se 52 histórias, rostos, direitos, geografias de coragem, dignidade, mas também de privação… e de injustiça.”

Dei o meu contributo  com a história da dissidente Myung-hee (que podem ler mais abaixo) e com a história dos três mosqueteiros de Bulenga.

Neste projecto participam:

Adelino Gomes, Adriano Gomes, Adriano Miranda, Alain Corbel, Alex Gozblau, Alexandra Lucas Coelho, Alexandra Prado Coelho, Alexandre Conceição, Alfonso Armada, Ana Cristina Pereira, Ana Dias Cordeiro, Ana Filipa Oliveira, Ana Grave, Anton Demisov, António Jorge Gonçalves, António Marujo, António Pedro Ferreira, Bernardo Carvalho, Carlos Narciso, Claire Malen, Daniel Blaufuks, Dylan Martinez, Eduardo Lobão, Enric Vives-Rubio, Faranaz Keshavjee, Fernanda Almeida, Fernando Jorge, Gonçalo Cunha de Sá, Helena Oliveira, Isabel Gorjão Santos, Isabella Balena, Javier Martinez, João Carlos Rosário, João Maio Pinto, João Paulo Baltazar, Jorge Gonçalves, Jorge Silva, José Milhazes, José Pedro Tomaz, Khaled Abdullah Ali Al Mahdi, Lina Lonet Delgado, Lúcia Crespo, Lucília Monteiro, Luís Castro, Luísa Meireles, Marcel Steger, Margarida Santos Lopes, Maria João Belchior, Maria Kowalski, Maria de Araújo Barbosa, Mariana Palavra, Marta Jorge, Miguel Carvalho, Nuno Ferreira Santos, Paola Rolletta, Patrick Arnoux, Paula Borges, Paulo Buchinho, Paulo Moura, Paulo Nuno Vicente, Paulo Ricca, Pedro Moita, Pedro Rosa Mendes, Philippe Matsas, Ricardo Alexandre, Rita Colaço, Rita Vaz da Silva, Rodrigo Saias, Rui Rasquinho, Sofia Branco, Sofia Lorena, Stefania Mascetti, Thierry Roge, Valter Vinagre, Victor Ângelo, Vincenzo Sassu.

O rio de Myung-hee

A minha aldeia é Chongju. Para viajar dentro do meu país é preciso ter uma autorização do governo. Sem ela, temos de ser muito espertos para evitar os guardas. Foi o que fiz quando fugi da Coreia do Norte para a China. Fugi pelo rio Tumen. Foi aí que aos 27 anos vi, pela primeira vez, o reflexo da minha dúvida: quem sou?

Myung-hee.

Um outro nome que protege quem ainda por lá ficou.

Treinada para fazer vénias diante do retrato de Kim Il-sung. E para sorrir se queria comer. Ou se não queria que lhe batessem com um pau.

A morte do “Grande Líder”, em 1994, acabou com as míseras duas rações diárias de arroz. A família subia às montanhas para colher raízes de plantas que misturavam com farinha de milho. Um reboco para tapar o estômago no país apresentado ao mundo como “o paraíso dos trabalhadores”.

Coreia do Norte: uma monarquia-socialista-comunista, onde o filho sucede ao pai. De Kim Il-sung ao “Querido Líder” Kim Jong-il, o testamento do medo dá fôlego à ditadura há mais de 60 anos.

O regime sobrevive à conta do policiamento de proximidade. Vizinhos que se controlam e denunciam para não serem denunciados. Sessões de censura pública. Um sistema que anula até pensamentos de dúvida. Os sussurros de que algo vai mal no reino dos Kim – se existem – correm sempre à cautela.

Myung-hee ouvia dizer que na China até os cães comiam arroz.

Desafiou a corrupta e também já mal-nutrida polícia e fugiu com mais dois amigos, por uma das fronteiras fluviais com a China. No rio Tumen, um dos amigos morreu afogado.

O rio Tumen.

Águas de fuga, morte e epifania.

Tive de continuar para arranjar trabalho na China. Durante um ano só trabalhei e comi. Enganaram-me. Nunca me pagaram. Diziam que iam contar às autoridades chinesas que eu estava ali. Há coisas que quero apagar da memória…Bateram-me muito. Fui vendida, traficada…fui  tratada como um animal… Sempre ouvi que Kim Il-sung era o maior líder do mundo e que estávamos a viver num paraíso, mas agora percebo que eram só mentiras. E nem dinheiro tinha para regressar. Fui novamente até ao rio Tumen, para cometer suicídio. Pensei que, morrendo, o meu corpo poderia flutuar até à minha cidade natal.

Foi aí que aos 27 anos vi, pela primeira vez, o reflexo da minha dúvida: quem sou?

Myung-hee.

O reflexo do rio devolveu-lhe a identidade.

Hoje vive na Coreia do Sul.

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169 156: Obrigada!

Os números do quarto aniversário de “Coreia do Norte: um Segredo de Estado”

Total de Posts: 597

Total de Comentários: 434

Melhor dia: 21 de Junho de 2010 com 2315 visualizações

Total de Visitas por Ano:

2006:     1447

2007:     9841

2008:     24 068

2009:     57 776

2010:     76 147

Total de visitas dos 4 anos: 169 156

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Quase-aniversário

Este pequeno e médio (e quase grande) blogue da Coreia do Norte completa quatro anos na próxima segunda-feira, dia 15.

E onde é que eu vou estar a trabalhar no próximo fim-de-semana? Macau! Tão perto e tão longe da minha península favorita, mas entusiasmada porque é sempre bom respirar o Oriente! Sobretudo aquele que ainda não conhecemos!

Onde se escondem as histórias macaenses relacionadas com a Coreia?

Ainda que o tempo de permanência em Macau vá ser muito curto e ocupado, “Coreia do Norte: um Segredo de Estado” aceita sugestões dos leitores!

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Impressões Digitais

A tecnologia digital vai dando uma ajuda para percebermos o que se passa na Coreia do Norte.

Um homem norte-coreano, com o pseudónimo de Kim Dong-cheol, faz vida dupla. Trabalha na Coreia do Norte como condutor e como repórter camuflado para a AsiaPress, uma agência de notícias japonesa.

Com a ajuda de aparelhos tecnológicos cada vez mais pequenos, Kim Dong-Cheol consegue enviar retratos do país mais fechado do mundo.

Na foto abaixo, vê-se uma menina que Kim encontrou num caminho e que parece ter 12/14 anos, mas na verdade já tem 23 anos e ganha a vida a apanhar erva para os coelhos de famílias norte-coreanas ricas.

A AsiaPress trabalha com seis jornalistas norte-coreanos que foram treinados para trabalhar com telemóveis e computadores sem atrair as atenções. No final de cada mês, os repórteres encontram-se com representantes da AsiaPress na zona de fronteira com a China e entregam o material recolhido.

O artigo completo pode ser lido aqui. Deixo um excerto:

In another clip also captured by Kim, a North Korean woman argues with a police man. Asked for a bribe, she screams at him and pushes him. “This cop is an idiot,” she shouts.

For most journalists, getting into North Korea is a tough task. Getting outside of the capital Pyongyang to see the lives of average people in the countryside is very difficult. Seeing the sort of poverty or disagreement with authority that Kim caught on camera is impossible.

Most of the shots are recorded surreptitiously and the small digital cameras make smuggling images easier than from older tape-based models.

“You used to have to tape video cassettes to your stomach,” he said. “But it’s very easy to hide an SD Card somewhere on your body.”

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