A pergunta tem-me sido feita várias vezes desde ontem: e agora? É desta que as Coreias entram em guerra?
Não é a primeira vez que a Coreia do Norte ameaça o mundo com a guerra. Mas desta vez há vítimas, e vítimas civis. E as ameaças que antes choviam em palavras ontem choveram em fogo de armas.
O ataque de Pyongyang apanhou todos de surpresa, até a China. E será que até mesmo a Coreia do Norte? Será que os norte-coreanos queriam apenas “assustar” os militares vizinhos e as contas saíram falhadas? O que se passou na cabeça de Kim Jong-il? O homem é louco mas não tanto. Sabe que apontar armas à Coreia do Sul é como apontar armas a meio-mundo. Mas será que este foi um aviso de que o regime está vivo e recomenda-se, agora que Kim Jong-un foi apresentado como o senhor que se segue?
A experiência ensina-me que quando o mundo passa muito tempo sem falar da Coreia do Norte, o (muito pouco) “Querido Líder” encarrega-se de agitar a memória. E fá-lo, muitas vezes, para que daí surjam contrapartidas: alimentos, energia ou dinheiro. Fá-lo porque não sabe pedir ajuda e para não perder a face. Acredito que este ataque seja o resultado de uma situação de aperto na Coreia do Norte que jamais confirmaremos, a menos que o muro caia.
Se é desta que há guerra? Duvido que alguém queira ficar com a factura de um país de 23 milhões de habitantes que está há mais de 60 anos fechado para o mundo. A China precisa do regime totalitário da Coreia do Norte, a Coreia do Sul não quer perder o estatuto de potência económica, o Japão só quer distância da antiga colónia e os Estados Unidos não têm orçamento para mais uma guerra, ainda por cima na Coreia do Norte.
Se é desta que há guerra? Mas… já tinha acabado?