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Archive for Julho, 2010

Não, ainda não estou de férias…estou de trabalho, muito trabalho, o que acaba por também justificar estas ausências prolongadas de escrita.

O assunto mais comentado das últimas horas refere-se ao destino dos jogadores norte-coreanos que participaram no mundial de futebol.

[Foto: Yonhap]

A Radio Free Asia escreve que os jogadores foram sujeitos a uma dura sessão de crítica pública.

Alertada pelo leitor Ivo – a quem agradeço – percebi que o assunto tem dado pano para mangas no blogue 5dias. Não tanto pelo teor da notícia, mas mais pela sua origem. Vale a pena espreitar o que escreve o autor Tiago Mota Saraiva e os comentários que se seguiram. Como também vale a pena ler o que escreveu João José Cardoso no blogue Aventar.

Como vale sempre a pena debater.

E já agora, vale a pena ler esta notícia: “Diplomatas da Coreia do Norte apreenderam na Birmânia uma biografia de Kim Jong-il”.

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Demonstração de Força

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul estão no segundo dia de exercícios conjuntos para dissuadir a Coreia do Norte de novas provocações. As manobras devem durar até quarta-feira.

No Mar do Japão estão oito mil homens, 20 navios e 200 aviões.

Há dois dias, a Coreia do Norte ameaçou responder com um “potente dissuasor nuclear”. A KCNA, agência oficial de notícias, cita a Comissão de Defesa Nacional norte-coreana:

O exército e o povo da República Popular Democrática da Coreia vão opor-se de forma legítima, com o seu potente dissuasor nuclear, aos exercícios de guerra nuclear mais significativos jamais organizados pelos Estados Unidos e pelas marionetas sul-coreanas.

A China já pediu calma na Península Coreana.

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O Ponto Final, jornal diário em português publicado em Macau, entrevistou-me a propósito da Coreia do Norte e deste blogue que está quase a fazer quatro anos de vida. Agradeço ao jornalista Hélder Beja pelo interesse e pelo destaque!

(para ler a entrevista, basta clicar em cima da imagem)

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Ora então, seguem as leituras do fim-de-semana:

O míssil sul-coreano; mais um aviso de Fidel; o suposto cartaz que anda a circular na Coreia do Norte e que mostra uma mão a esmagar um navio; noivos sul-coreanos impedidos de passar a lua-de-mel na China, só porque moram na cidade que alberga um centro para norte-coreanos; e o início do culto à volta da personalidade do sucessor de Kim Jong-il.

Seul cria míssil capaz de atacar instalações norte-coreanas

Fidel aparece outra vez e alerta sobre guerra

North Korea adds insult to injury

Korean honeymooners rejected entry to China

N.Korea builds ‘shrine’ to leader’s likely successor

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Regresso ao relatório da Amnistia Internacional (AI) porque está semeada a polémica.

Relembrando: a AI entrevistou cerca de 40 dissidentes da Coreia do Norte e chegou à conclusão de que “o sistema de saúde está em ruínas”.

Grandes cirurgias, incluindo amputações, são feitas sem anestesia, as seringas não são esterilizadas e os lençóis não são lavados frequentemente. É esta a realidade de muitos hospitais da Coreia do Norte, de acordo com um relatório da Amnistia Internacional. O quadro traçado do sistema de saúde norte-coreano dificilmente poderia ser mais negro.

O porta-voz da Organização Mundial de Saúde (OMS), Paul Garwood, considera que o documento é “anecdotal”  porque os testemunhos reportam-se a 2001. Os artigos publicados na Web portuguesa acabaram por traduzir esse “anecdotal” como “anedota”. Na verdade, “anecdotal” aqui quer dizer “duvidoso”. Eu própria, na pressa de publicar a notícia, caí no mesmo erro. Graças a leitores atentos – como o Pedro (obrigada!) – fica aqui a correcção e, já agora, a lição de como uma palavra mal-entendida por originar mal-entendidos. Neste caso, apesar deste “lost in translation”, a palavra não retira o tom de descredibilização do porta-voz da OMS em relação ao relatório da Amnistia:

Garwood said Thursday’s report by Amnesty was mainly anecdotal, with stories dating back to 2001, and not up to the U.N. agency’s scientific approach to evaluating health care. “All the facts are from people who aren’t in the country,” Garwood told reporters in Geneva. “There’s no science in the research.” The issue is sensitive for WHO because its director-general, Margaret Chan, praised the communist country after a visit in April and described its health care as the “envy” of most developing nations.

No relatório original, a AI diz que recolheu testemunhos de norte-coreanos que fugiram do país, a maior parte, entre 2004 e 2009.

Questão para discussão: o facto destas pessoas já não se encontrarem na Coreia do Norte retira validade aos seus testemunhos?

“North Korea has failed to provide for the most basic health and survival needs of its people.  This is especially true of those who are too poor to pay for medical care,” said Catherine Baber, Amnesty International’s Deputy Director for the Asia-Pacific. According to the World Health Organization’s last available figures, North Korea spent less on healthcare than any other country in the world – under US$1 per person per year in total. The North Korean government still claims that its healthcare system is free for all, but many witnesses told Amnesty International that they have had to pay for all services since the 1990s, with doctors usually paid in cigarettes, alcohol or food for the most basic consults, and taking cash for tests or surgery.

A  directora-geral da OMS, Margareth Chan, visitou o país ainda este ano e  disse que o sistema de saúde norte-coreano faz inveja a muitos sistemas de saúde de países desenvolvidos. Fui recuperar essas declarações:

UN health agency chief Margaret Chan said on Friday after a visit to North Korea that the country’s health system would be the envy for most developing countries although it faced “challenges”. “Based on what I have seen, I can tell you they have something that most other developing countries would envy,” she told journalists, despite reports of renewed famine in parts of the country. “To give you a couple of examples, DPRK has no lack of doctors and nurses, as we see in other developing countries, most of their doctors and nurse have migrated,” the director general of the World Health Organisation said. She also highlighted its “very elaborate health infrastructure” extending to a district network of household doctors, she added.

Margaret Chan baseou ainda os seus elogios nas estatísticas norte-coreanas e esteve apenas três dias na Coreia do Norte.

O sistema de saúde norte-coreano terá melhorado assim tanto, desde que os dissidentes ouvidos pela AI fugiram, a ponto de ser agora um dos melhores do mundo?

Quem pode afirmar que aquilo que Margaret Chan viu – em apenas três dias – é um retrato fiel da realidade norte-coreana? E quem pode afirmar que não é?

Espero reacções.

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O encontro entre o Comando da ONU e a Coreia do Norte aconteceu, finalmente, esta quinta-feira, em Panmunjon. As partes prometeram voltar ao diálogo.

Pode não parecer, mas esta decisão já significa um grande avanço, ainda para mais porque os representantes militares do Comando das Nações Unidas são norte-americanos.

Enquanto isso, os Estados Unidos e a Coreia do Sul estão a planear uma série de exercícios militares conjuntos, para aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte. Na próxima semana, os secretários norte-americanos da Defesa e de Estado, Robert Gates e Hillary Clinton, vão até Seul discutir os detalhes da operação.

Ora, e não vá a diplomacia tecê-las, nestas coisas de Estados  tecnicamente em guerra (como é o caso das Coreias), o melhor é ter preparação militar desde bem cedinho. Na Coreia do Sul, há acampamentos militares de três dias que fortalecem o corpo e o espírito dos mais jovens.

[Foto: Associated Press]

Por outro lado, o sistema de saúde da Coreia do Norte está como as crianças desta foto: na lama. A Amnistia Internacional entrevistou mais de 40 dissidentes norte-coreanos e concluiu, num relatório, que a saúde está “em ruínas”.

Infelizmente, nada de novo e diferente daquilo que o médico alemão, Norbert Vollertsen, me contou em 2006, na Coreia do Sul.

Em 1999, Norbert ofereceu-se para prestar assistência médica na Coreia do Norte e lá viveu durante 18 meses. Deixo-vos parte do relato impressionante de Norbert:

Em frente a qualquer hospital há uma farmácia, mas se as pessoas não tiverem won, a moeda local, não podem comprar esses medicamentos. Às vezes, são obrigados a pagar em moeda estrangeira, euros ou dólares. Isso significa que só os membros da elite do Partido dos Trabalhadores conseguem tratamento. Por isso, é bastante irónico que digam na Coreia do Norte que a saúde é de graça.

Um dia, num hospital de uma zona rural, deparei-me com condições impensáveis. Não tinham desinfectante, nem sabão, nem medicamentos, nem comida sequer para alimentar os médicos. Por isso eles também estavam fracos. Mas estavam a operar. Apesar de todas estas falhas, estavam a operar uma miúda de 13 anos a uma apendicite. Não queria acreditar naquilo que estava a ver. No meio daquelas condições, sem qualquer higiene, sem sabão ou água corrente, estavam a operar! Perguntei-me: «o que é que se passa aqui?» Eu e os meus colegas estávamos a olhar para aquilo e ficámos sem palavras. Ali estava aquela miúda, deitada na marquesa, semi-nua e sem qualquer anestesia, ou droga. Nunca vi nada assim. E ela, claro, estava muito consciente. Tremia e chorava silenciosamente. Sentimo-nos tão impotentes. Senti que estava na Lua ou em Marte, porque era um cenário tão invulgar. Parecia um filme. Agarrei-lhe numa das mãos e o meu colega agarrou-lhe na outra. A única coisa que pudemos oferecer  foi a nossa mão ocidental. Ela devia estar a sofrer tanto…E a operação continuava. Como era o nosso primeiro contacto com a Coreia do Norte, e era apenas uma visita, não tínhamos trazido medicamentos. O que é que podíamos fazer? Confiámos nos médicos, porque a operação era necessária. E, no final, até me mostraram o apêndice que estava bastante infectado. Sei que até na selva se operam apendicites, mas utiliza-se whisky barato para deixar os doentes um pouco trôpegos, anestesiados. Mas esta miúda estava muito consciente, não estava a dormir, não estava bêbada. Eu e o meu colega até chorámos, sentimo-nos embaraçados porque éramos médicos e não podíamos fazer nada, não podíamos parar o processo. Surpreendentemente, sobreviveu. Uma semana depois, vimo-la outra vez, porque estávamos tão preocupados que fomos até lá e vi uma jovem norte-coreana muito forte. A maior parte das mulheres norte-coreanas são muito corajosas e rijas. Ela sorria, estava acordada e saudável.

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Notícias

A Coreia do Norte cancelou hoje um encontro com o Comando das Nações Unidas que iria servir para falar sobre o afundamento da corveta sul-coreana, em Março deste ano. Pyongyang alegou “razões administrativas”.

Fidel Castro, omnipresente líder cubano, diz estar muito preocupado com a Península Coreana e teme um conflito iminente na Coreia do Norte.

O “conflito” tem, para já, palco nos relvados. Na estreia do Mundial de Futebol Sub-20 feminino, a equipa norte venceu a equipa brasileira por 1-0.

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