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Archive for 24 de Agosto, 2009

Quem me conhece sabe que falo mais com o coração e hoje parecia que ia explodir, tal era a emoção por estar tão perto da Coreia do Norte, daquela mesma terra impenetrável, temível e mágica que consegui pisar há três anos.  Muito ao longe, consegui captar a imagem da bandeira da República Popular Democrática da Coreia, vulgarmente conhecida como Coreia do Norte.

A bandeira norte-coreana

Confesso que senti a máquina da propaganda mais forte a Sul do que senti há três anos a Norte. Na JSA (Joint Security Area) fomos recebidos pelo sargento Frank Murillo do exército norte-americano, que está há quase dez meses destacado numa missão que, segundo o próprio, “é muito calma, quase uma brincadeira”. Murillo esteve antes no Iraque. Percebe-se.

Comandante Frank Murillo

Antes de chegarmos à linha de demarcação militar (onde ficam os edifícios azuis das Nações Unidas), o sargento Murillo deu os conselhos da praxe: não apontar para o lado norte-coreano, não gritar, não tocar nos soldados sul-coreanos e, claro, não atravessar essa linha sem regresso (quando regressar vou publicar aqui alguns dos vídeos que fiz). A típica instalação do medo, numa zona que quase parece um museu ao ar livre: extensos campos verdes, onde se aninham a cultura do arroz e algumas casas. Para andar nesta zona, fomos obrigados a usar estas faixas azuis que nos identificam como jornalistas.

A península unida num candeeiro

No caminho para o único edifício que Norte e Sul partilham (embora em momentos diferentes), vi estes candeeiros com a Península Coreana Unida. Perguntei, entretanto, ao Sgt. Murillo se se sentia, de alguma forma, invejado pelos guardas norte-coreanos. “Claro, eles olham para nós, vêem que somos fortes, temos refeições a toda a hora, temos máquinas fotográficas e ainda trazemos turistas a visitar esta área e que também têm um ar bem saudável. Por isso, claro que devem invejar-nos”, respondeu. Devo confessar que não gostei do tom de gozo da resposta porque aqueles homens do outro lado de lá da Península são mais magros e mais baixos apenas graças às atitudes de um regime egoísta e péssimo gestor de recursos.

Olhos nos olhosEstamos aqui

Já dentro do edifício azul que se fecha a Norte quando se abre a porta do lado Sul, recebemos o aviso “proibido tocar” nos soldados sul-coreanos que estavam lá dentro. Eles podem reagir. Explicaram-nos também que os soldados sul-coreanos usam óculos de sol para evitarem o contacto visual com os norte-coreanos. E, claro, sempre dão um ar mais ameaçador.

No meu bom chico-espertismo português, lá consegui colocar-me junto a uma destas rochas humanas sem lhe tocar num fio de cabelo, só para a bela da fotografia. Descobri, afinal, que nós, portugueses, temos também sempre a mania de julgar que somos ridículos, quando afinal só damos é o primeiro passo para a aventura. Todos os meus colegas europeus também tiraram fotografias junto ao dito senhor. E não doeu e nem custou nada!

Não fala não mexe não respira

Mais tranquila foi a visita seguinte, guiada pelo Tenente-Comandante Hugh Son, canadiano com raízes coreanas, que pertence à Comissão de Armistício do comando militar das Nações Unidas.

Hugh Son - o homem que guarda o portão sul-coreanoEle é, na verdade, o homem que todos os dias fica 100 metros à porta da Coreia do Norte, na estrada que liga o Sul à cidade norte-coreana de Kaesong. É lá que está o complexo industrial com as fábricas sul-coreanas que dão trabalho a milhares de norte-coreanos e é o único ponto em que Norte e Sul trabalham para um mesmo objectivo. Os funcionários sul-coreanos atravessam todos os dias essa estrada no carro do Tenente-Comandante Hugh Son e são deixados a 100 metros do portão, a partir do qual já se pisa território norte-coreano.

Através destes binóculos, no alto da colina sul-coreana do Paralelo 38, voltei a olhar para a cidade de Kaesong (que visitei há três anos) e para os símbolos que acendem e eternizam o culto da personalidade de Kim Il-sung e Kim Jong-il.

Estava lá, a Coreia do Norte, ao longe. Não pude deixar de pensar na Miss Kim, no Pak Kwang-ung, na Jo Gum-nyo, no To-tchol. Apeteceu-me tanto gritar estupidamente: tenho saudades! Está tudo bem por aí?

Só mais uma espreitadelaDo Sul a espreitar a cidade de Kaesong (Coreia do Norte)

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Visitei, finalmente, o lado Sul do Paralelo 38!

Mais tarde, venho contar pormenores. Deixo apenas agora os dois lados da zona mais militarizada do mundo.

[Há 3 anos foi assim – Coreia do Norte]        Há 3 anos foi assim do lado Norte [Hoje foi assim – Coreia do Sul]

E pensar que já estive do outro lado...

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