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Archive for 22 de Agosto, 2009

Hoje conheci a família Kim: a avó Kim Yong Ja; o pai Kim Sung-hae; a mãe Choi Kyoung-won; e o filho Kim Dong-kyu.

Família Coreana

Ao mesmo tempo que o ministro da Unificação sul-coreano, Hyun In-taek, se reunia com o chefe da delegação da Coreia do Norte, Kim Yang-gon (no primeiro diálogo de alto nível entre os dois países em dois anos), a avó Kim desfiava as memórias da Guerra da Coreia.

Kim Yong Ja, 67 anos, tinha apenas nove anos nessa altura, e já vivia no Sul da Península. Olhava para Kim Il-sung (o presidente eterno da Coreia do Norte) como um homem assustador, parecido com Hitler. Lembra-se de ter sido obrigada a abandonar a terra onde vivia, apenas com o essencial. Um dia, durante a guerra, um dos soldados norte-coreanos aproximou-se dela e deu-lhe um abraço, lavado em lágrimas. Ambos sabiam que eram, de alguma forma, irmãos.

Kim Yong Ja é uma avó como tantas outras. Após o jantar, levantou-se e foi buscar um saco de plástico com alguns presentes lá dentro: quatro pares de meias e uma camisola! Um doce de pessoa!

Meias coreanas

A avó Kim pertence à geração que defende a reunificação das Coreias. Os mais novos colocam mais reticências a esta ideia, porque temem as consequências económicas da união. O Sul, mais rico, teria de suportar e inverter a pobreza norte-coreana, o que poderia afectar a qualidade de vida dos habitantes da décima maior potência económica do mundo.

Ontem, na Universidade de Yonsei, assisti a um debate aceso entre os estudantes sobre esta questão. Por exemplo, Hyo-Chang Kim, 22 anos, estudante de engenharia electrónica, dizia que não queria ter nada a ver com o Norte e que desejava mesmo que os vizinhos norte-coreanos desaparecessem do mapa. Mais tarde, reconheceu que tinha exagerado, no calor do momento, mas mantinha a posição contra a reunificação.

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Pelo contrário,  Sue Hye Park, 21 anos, disse ser a favor da reunificação porque os avós deixaram família na Coreia do Norte e sofrem com a separação. No entanto, também reconheceu que os sul-coreanos não estão preparados para assumir as consequências de um divórcio tão longo, que gerou diferenças abissais entre Norte e Sul.

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As fotografias em que apareço com os estudantes foram tiradas pelo meu colega Jakub Adamuwicz, do jornal Luxemburger Wort (thank you).

Para de além de Jakub, há mais colegas europeus nesta viagem onde tenho aprendido imenso sobre a sociedade sul-coreana. Aqui ficam os nomes da malta que aparece na foto: da Áustria, Joseph Kirchengast (Der Standard); da Estónia, Andres Kuusk (ETV, Estonian National Television), da Polónia, Dominika Pszczolkowska-Moscicka (Gazeta Wyborcza); da Roménia, Carmen Gavrila (Romanian National Radio); e de Itália, Maria Laura Franciosi e Valentina Bonaccorso (European Journalism Center).

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Amanhã, Domingo, os sul-coreanos vão acenar um último adeus ao antigo presidente Kim Dae-jung e sente-se uma brisa de mudança.

A visita dos norte-coreanos a Seul deveria ter acabado hoje, um dia antes do funeral. Mas o ministro sul-coreano da Unificação disse que o regresso da delegação norte-coreana a Pyongyang “podia vir a ser adiado”, isto depois de um encontro  de hora e meia com Kim Yang-gon, membro do Partido dos Trabalhadores. Parece que os norte-coreanos pediram um encontro com o presidente sul-coreano Lee Myung-bak.

Aos jornalistas, o norte-coreano Kim Yang-gon disse que sentiu em Seul a “necessidade de melhorar as relações entre Norte e Sul”.

Está dada a mensagem.

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