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Archive for 20 de Agosto, 2009

Há cerca de um ano, falei aqui do livro “Os Aquários de Pyongyang” e, nessa altura, estava muito longe de imaginar que algum dia viria a falar com o seu autor.

Pois bem, esta noite, jantei com Kang Chol-hwan, o próprio. Em 1977, aos nove anos, Kang foi condenado a dez anos de trabalhos forçados, com base num crime de desobediência política que o avô alegadamente cometeu. Ora, como Kang contou esta noite, na Coreia do Norte, quando alguém comete um crime, todos os membros da família são condenados. Kang passou fome ao mesmo tempo que era obrigado a trabalhar de sol a sol.

Os aquários aparecem no livro porque, antes de ser considerado como um traidor, Kang tinha um aquário enorme com muitos peixes dourados, na sua casa em Pyongyang (a família fazia parte da elite norte-coreana). Quando lhe disseram que ia para o campo de Yodok, Kang nem percebeu bem o que lhe estava a acontecer. Apenas fez birra para levar os peixes consigo. E conseguiu. Porém, a chegada de Kang ao campo de trabalhos forçados ficou assinalada pela morte dos peixes que não resistiram à viagem. O desgosto agarrou-se à pele. Durante dez anos, Kang foi como um peixe dentro de um aquário do qual não conseguia sair.

Kang Chol-hwan - aquario 2

Em 1991, fugiu, finalmente, para a China e um ano depois chegou à Coreia do Sul, onde agora trabalha como jornalista.

Hoje, a Coreia do Norte anunciou que vai fazer-se representar nas cerimónias fúnebres de Kim Dae-jung. Aqui em Seul, esse anúncio está a ser visto como uma grande oportunidade para adoçar o tom azedo dos últimos tempos entre as Coreias, mas Kang Chol-hwan acredita que esta é mais uma manobra de diversão do regime de Pyongyang.

Kang aceitou ser fotografado com a versão portuguesa do meu (que é seu) livro na mão!

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O dia tem sido muito bom em matéria de contactos.

Professor Kang ChoiDe manhã, estive em dois seminários na Korea Press Foundation e conheci o professor Kang Choi, do Institute of Foreign Affairs and National Security. Kang disse que, apesar do burburinho do nuclear, a crise económica e o emprego são as questões que preocupam mais os sul-coreanos. De qualquer forma, sublinhou que a reunificação da península depende do ponto final da Coreia do Norte em relação ao programa nuclear. Seul já vai herdar o fardo do choque cultural e económico, por isso, disse, não precisa da dor de cabeça nuclear.

Luto Nacional

Depois do almoço, fui até à Assembleia Nacional onde se fazem os preparativos para o funeral do antigo presidente sul-coreano Kim Dae-jung, que se realiza no Domingo. Nos corredores do parlamento, muitos funcionários vestem-se de preto, porque Kim era visto por muitos como um grande líder político. Cartaz Kim Dae-jung

Para a história fica o encontro com Kim Jong-il em 2000, onde ambos assinaram um acordo que incrementou a reconciliação nacional, arrefeceu as tensões militares e fez aumentar a cooperação económica. Também muito importante foi o facto dessa histórica reunião ter facilitado o reencontro de famílias separadas à força pela guerra. Nos corredores do parlamento sul-coreano, há vários cartazes com a imagem do Nobel Kim Dae-jung.

O “Eterno Perdedor”

Entretanto, conheci uma figura política que dá quase uma estória para um livro: Lee Hoi Chang, do partido da oposição Liberty Forward Party. Lee bem podia ter o cognome de “Eterno Perdedor”.

Eterno perdedorJá foi por três vezes candidato à presidência, uma delas, precisamente, contra o falecido Kim Dae-jung, onde perdeu por uma margem mínima de 1,6 por cento . Em 2002, voltou a tentar e voltou a perder, desta vez para Roh Moo-hyun.

Persistente, é o que no mínimo se pode dizer, em 2007, voltou à carga para um combate de Lee vs Lee. Lee Hoi Chang perdeu, novamente, para Lee Myung-bak do GNP (Grand National Party). Ou seja, este homem esteve sempre quase para ser, mas nunca foi. No entanto, sinto-me uma privilegiada por ter tido a oportunidade de estar com aquele-que-foi-quase-o-presidente-da-Coreia-do -Sul. E Lee não descartou uma quarta tentativa. Fantástico!

Paz e Cabelos

Ainda nesta jornada parlamentar, descobri que há uma barbearia para os senhores deputados e um cabeleireiro para as senhoras deputadas dentro da Assembleia Nacional.Cabeleireiro

Só me deixaram fotografar da porta porque não deve ser de bom tom ver os senhores parlamentares a fazerem uma mise ou uma permanente.

Para mim, esta descoberta é surpreendente porque, tanto quanto sei, não há disto em Portugal, embora admita a minha ignorância perante os serviços disponíveis em São Bento, na Assembleia da República.

E para terminar, deixo mais uma fotografia em que estou com a tradutora Amy Lee. Importantíssima para quebrar a barreira linguística, Amy tem feito um trabalho notável. Para além de hiper competente é também muito simpática e sugeriu este gesto de Paz para a fotografia. Peace and love!

Peace

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